Período de quarentena impõe mudanças nas sorveterias.

Sorvete em casa

Fábricas de BH adequam produção e entrega para atender clientes durante quarentena

 

Pedir sorvete em casa não é um hábito dos brasileiros. De fato, é muito mais interessante escolher o sabor na vitrine e sentar para comer na loja. Mas o período de quarentena impõe mudanças. No último mês, as sorveterias viram o número de pedidos para entrega aumentar exponencialmente e cada uma delas encontra a melhor maneira de se conectar com os seus clientes.

O serviço de entrega da Mi Garba ficou suspenso por três semanas para se adequar ao novo momento. Os sócios elaboraram uma cartilha com regras rigorosas de higienização para atender aos pedidos dos clientes, que queriam continuar a receber os produtos em casa. “Não podemos nos esquecer de que, apesar de não ser considerado alimento de primeira necesidade, o sorvete desperta boas emoções, leva alguma forma de conforto ou alegria para as pessoas”, destaca Luca Lenzi.

Apenas a loja do Lourdes está funcionando como fábrica e ponto de retirada dos pedidos. Os gelatos são produzidos diariamente e a prioridade é para os mais procurados, entre eles Absurdo (camadas de creme, chocolate belga e caramelo), Antônio Chiera (maracujá com iogurte e pistache) e Mi Garba (gelato de baunilha com pedaços crocantes de cookies). “O momento é de valorizar o produtor local, então vamos usar, por exemplo, o chocolate meio amargo Java e as frutas vermelhas do Sítio Juranda, sem perder o foco nos sabores da tradição, que são pistache e nocciola”, avisa.

A Easyice já enxergava o delivery como tendência e a quarentena acabou antecipando o futuro. Com o serviço estruturado, a empresa viu a demanda por entrega praticamente dobrar e o tipo de pedido mudar: o açaí, que antes representava 85% das vendas, agora divide espaço com os sorvetes. “Principalmente agora temos um cuidado a mais de atualizar o cardápio dos aplicativos para o cliente saber que estamos produzindo novidades. Acabamos de lançar o pistache italiano, que está fazendo muito sucesso”, aponta o gerente geral, Felipe Ma- deira.

Apenas as sobremesas não fazem parte do delivery. A loja da Rua Professor Morais funciona como ponto de saída dos pedidos e a sorveteria também trabalha com entrega própria, que sai da fábrica, na Pampulha, para pedidos maiores ou para quem mora na região. “A fábrica não sofreu tanto impacto porque fornecemos para supermercados, e esse mercado continua ativo”, explica. Os clientes podem pedir alguns produtos de parcerias, como o sorvete de pão de queijo e o sorbet de jabuticaba.

ENTREGA PRÓPRIA Para conseguir atender a todas as regiões da cidade, a Gusto Mio saiu temporariamente dos aplicativos de delivery e faz todas as entregas em carro próprio. “Percebemos uma demanda muito grande de pedidos em áreas que os aplicativos não cobrem e muitos clientes do bairro (Cidade Nova) queriam vir buscar para não pagar taxa”, diz a sócia Maria Clara Oliveira. Os pedidos devem ser feitos com antecedência e são entregues três vezes por semana (quarta, sexta e domingo).

A demanda cresceu mais que o previsto e os sócios, que antes trabalhavam sozinhos, agora contam com a ajuda de dois funcionários. A produção se concentra nos sabores mais pedidos, como macadâmia caramelizada, chocolate belga, bem-casado e caramelo com flor de sal. “Não estamos fazendo um estoque grande. Produzimos o que sabemos que vai sair no dia das entregas.” Para acompanhar, casquinha artesanal, biscoito feito com a casquinha, caldas de chocolate belga e caramelo e brownie.

(Fonte: Celina Aquino – Estado de Minas)